A BATALHA DE SÃO BERNARDO

Terminou a batalha de São Bernardo, mas não terminou a guerra pela democracia. Lula, condenado por Moro e pelo TRF-4 sem provas, num processo montado para produzir efeitos eleitorais tornando Lula inelegível, com prisão decretada à revelia da Constituição, que explicitamente veta prisão sem sentença transitada em julgado, se entrincheirou no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo durante dois dias, protegido por uma multidão e pela solidariedade de partidos de esquerda e entidades do movimento social.

Rejeitado o ultimato de Moro para a “rendição” até às 17h de sexta feira, desmoralizadas as suas tentativas de pressionar a Polícia Federal para executar a prisão dentro do sindicato, com Lula definindo a hora e os termos do enfrentamento político, a batalha de São Bernardo foi uma vitória. A comemoração fraca, contida , nos Tucanistões que dois anos atrás bateram panelas pelo golpe, mostra quem venceu e quem perdeu no dia de hoje.

Poucas são as batalhas que definem o resultado das guerras. Esta, com certeza, não tinha esta possibilidade. A menos que a partir de São Bernardo se levantasse um movimento capaz de derrocar as instituições, hipótese que ninguém sustenta de forma séria, esse objetivo estava fora do alcance. Por isso, a prisão de Lula era inevitável. A vitória possível era controlar o timing, a repercussão e os termos em que ela ocorreria.

A legítima disposição da militância de prolongar a resistência para além do dia de hoje é elogiável e uma das vitórias deste enfrentamento. As cenas da massa impedindo a saída do carro de Lula ficarão para a História. Mas lutas não são um fim em si mesmo sendo sempre subordinadas a um objetivo político possível. Não era possível impedir a prisão de Lula logo. Portanto, em algum momento era necessário pactuar. A defesa da “luta até á vitória” quando a vitória não é possível, costuma conduzir a derrotas desastrosas.

Acho, portanto, com toda a estima aos valorosos militantes que tinham manifesta disposição de prolongar o enfrentamento, que a decisão de Lula foi correta. Sair nos seus termos, com a mobilização no auge, deixando claro quem escolheu a hora de sair, foi a decisão acertada.

Moro perdeu a sua foto, perdeu a chance de uma prisão humilhante. As imagens espetaculares destes dois dias continuarão repercutindo pelo Brasil e pelo mundo. Mesmo “peleando em retirada e com pouca munição”, é possível obter vitórias. Hoje foi um desses dias.

É levantar a cabeça e retomar a luta em defesa da democracia.