A EXPORTAÇÃO DA AUSTERIDADE, NOVA FACE DO IMPERIALISMO

Enquanto os países centrais aumentam suas dívidas públicas para enfrentar a crise, os organismos multilaterais por eles controlados recomendam para os países periféricos políticas de feroz ajuste fiscal. Os EUA desde a crise de 2008 viram sua dívida pública subir de 73% do PIB para 105% . Os Estados Unidos financiam sistematicamente seus gastos com expansão monetária e aumento de dívida. Como sua moeda é reserva internacional de valor, o impacto inflacionário dessa expansão é minimizado. Como sua moeda é meio de troca internacional, os decorrentes déficits comerciais se tornam irrelevantes.

Essa talvez seja a principal característica do imperialismo no atual período de financeirização global. Há décadas que os EUA têm enormes déficits comerciais com o restante do planeta, financiados com moeda por eles mesmos emitida. É uma especie de cheque especial da conta corrente do proprietário do banco.

Para os países da periferia, a adoção de políticas expansionistas que aumentem seus déficits esbarra em limites mais estreitos, conforme o seu grau de abertura financeira e comercial com o restante do planeta. Uma política de expansão fiscal isolada em um pais com moeda própria, mas que não seja tida como reserva de valor internacional, resulta no vazamento para o exterior de parte do impulso econômico resultante, com a provável deterioração do seu balanço de pagamentos, esse denominado em dólares. Quanto maior a sua abertura comercial, maior será esse vazamento. A crescente globalização da produção industrial, com a internacionalização das cadeias produtivas, reduz a autonomia da política fiscal das autoridades nacionais.

A combinação de políticas de abertura comercial indiscriminada e da abertura financeira dos países da periferia resultou concretamente em perda de autonomia na sua tomada de decisões na área fiscal. As políticas de ajuste fiscal, normalmente associadas a campanhas de criminalização da dívida pública, condenam estes países a um crescimento econômico letárgico e baseado na desvalorização do custo do trabalho, verdadeiro objetivo dos ajustes fiscais. Condenados a serem países produtores de produtos primários ou semi elaborados, a redução do custo unitário do trabalho permite deteriorar as relações de troca com os países centrais.

Parte da esquerda ainda não entendeu isso e continua se deixando terceirizar pelo discurso de criminalização das dívidas públicas e, portanto, jogando água no moinho das políticas de ajuste fiscal.

A adoção de uma política econômica capaz de romper esse círculo vicioso, passa por concertar políticas fiscais entre países da periferia. No caso do Brasil, seria da maior importância concertar políticas industriais, comerciais e fiscais com seus vizinhos próximos.

Nunca antes na história a politica econômica dependeu tanto de uma política externa ativa e da vitória das forças populares em toda a America Latina, possibilitando a concertação de políticas econômicas em comum.