COMO PENSA O EMPRESARIADO

Por razões profissionais tenho contato com muitos empresários. Industriais, CE0 de grandes empresas , profissionais liberais, comerciantes, gente de diversas áreas.
Um traço comum a todos é conhecerem muito bem as suas áreas de atuação e, mesmo que intuitivamente, terem bom conhecimento de microeconomia. Sabem avaliar seus mercados, suas estruturas de custo, e suas potencialidades.
Outro traço em comum é a mais absoluta ignorância sobre macroeconomia. Reproduzem mecanicamente o discurso da mídia, veem o Estado como um entrave e não fazem a menor ideia de como funciona a economia como um todo. Como em geral convivem nos seus ambientes sociais com outros empresários, seus conceitos e preconceitos se auto reforçam.
Boa parte deles prosperou durante os governos do PT e enfrenta crises de 2016 para cá. A maioria dos que conheço é muito crítico a Bolsonaro a quem têm na conta de idiota. Mas temem a volta da esquerda e do Lula em particular. Se questionados sobre que problemas tiveram nos governos Lula não têm nenhuma resposta direta. Ficam no ” a esquerda não gosta de empresários”.
Lula declarou anos atrás em tom de desabafo que não entendia a bronca dos bancos e dos empresários em geral com os governos do PT porque teriam ” ganho dinheiro como nunca” nos seus governos.
É ideológico. É sentido de pertencimento de classe. É receio a qualquer discurso que fale em combater a desigualdade porque sabem que lugar ocupam nessa desigualdade. Por mais moderada que seja a agenda, e os governos do PT foram moderadíssimos, a enorme maioria dos empresários não reage a seus interesses concretos mas á percepção que têm deles.
E essa percepção é determinada pela ideologia.

O SEXTO EXÉRCITO DEFENDERÁ A FORTALEZA STALINGRADO

Com esta frase Hitler rejeitou as propostas do Estado Maior Alemão e não autorizou o sexto exército a tentar romper o cerco em novembro de 1942.
300 mil homens cercados. Apenas cerca de 5 mil voltariam para casa. Hitler havia sido advertido pelos seus generais meses antes que a ofensiva contra Stalingrado deixaria os flancos do 6 exército expostos . Recuar seria admitir que errou.
Bolsonaro em março de 2020 tinha uma estratégia. Disseminar rapidamente o vírus, contaminar o máximo de brasileiros no mais curto espaço de tempo, deixar morrer os que tivessem que morrer, e formar imunidade de rebanho rapidamente para retomar a economia. Essa estratégia foi formulada pelo deputado Osmar Terra .
Tudo foi feito dentro dessa estratégia.
Estimulou aglomerações com seu exemplo, minimizou a pandemia chamando-a de gripezinha, desprezou o uso de máscara, propagandeou falsas curas com intuito de “tranquilizar” os incautos, condenou o isolamento social e as estratégias de redução de atividades, propagou a desconfiança nas vacinas e descredibilizou as estatísticas de mortes com fake news (todos se lembram da historia dos 5478 porteiros cujos cunhados morreram atropelados e no atestado de óbito constava Covid). Todos os alertas dos epidemiologistas foram ignorados.
Não funcionou. O experimento já custou mais de 250 mil vidas . Até o mais idiota dos Pazuelos que infestam este governo já percebeu isso. Mas Bolsonaro, assim como Hitler, não admite retiradas. Seria reconhecer a falibilidade do Furher.
Stalingrado é aqui. Mas quem está cercado e condenado a morrer em massa não é o exército nazista. É o povo brasileiro.

QUEM NASCEU PRIMEIRO, O OVO OU A GALINHA?

Uma das confusões mais frequentes ao senso comum é a ideia que o cidadão sustenta o Estado (a União) com seus impostos.
Façamos a seguinte experiência. Veja quanto dinheiro tem no seu bolso. Achou uma cédula de 20 reais? Parabéns. Veja o que está escrito nela. Vai achar “República Federativa do Brasil” e “Banco Central do Brasil” .
Essa cédula está no seu bolso porque você a ganhou, com seu trabalho, de alguém. Que a recebeu de outro alguem, que recebeu de uma terceira pessoa, que recebeu do governo federal.
Na origem portanto foi um gasto do governo federal correto? Agora imagine a teoria de todas as tias do zap, algumas com diploma e assento na Globonews, que diz que se a União gastou então ela precisa pegar o mesmo valor de volta via imposto para não ter déficit.
Se isso tivesse ocorrido sabe quanto você teria no bolso? Zero reais. Isso mesmo. Sua conta bancária também estaria zerada.
Mas não fique chateado. Nada pessoal . O Luciano Hang tambem não teria um centavo no bolso. Nem no banco.
Você só tem vintão no bolso e o Papagaio da Havan alguns milhões no banco porque em algum momento a União os gastou e não pegou de volta via imposto.
O nome disso é déficit fiscal. Viu como não dói nada? O acúmulo de déficits chama-se divida pública. Ela grosso modo é igual à poupança privada. Não teria poupança privada sem déficit público e dívida pública.
O estado não gasta porque você paga imposto. Você é que paga imposto porque o Estado gastou e dessa forma você recebeu dindim.
Quanto ao ovo e à galinha eu não faço a menor ideia de quem nasceu primeiro

Análise política e econômica