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O 6º CONGRESSO DO PSOL ENTRE A REALIDADE E A FANTASIA

Esta semana começaram a circular as primeiras teses para o Congresso do PSOL e as primeiras polêmicas surgem. Tudo aponta para que a principal polarização seja centrada sobre a plataforma eleitoral para as eleições de 2018.

De um lado aqueles que se recusam a encarar os desafios reais que estão colocados e agem como se estivessem elaborando as teses para a tomada do Palácio do Jaburu, na ausência de um palácio de inverno para dar contornos épicos mais simbólicos. Dar respostas aos problemas objetivos parece desvalorizado demais para a sua retorica revolucionaria.

Afinal dizer o que fazer com o banco central, com a taxa de juros, como controlar a inflação, como mudar a estrutura tributaria, como viabilizar a retomada dos gastos e investimentos da União, que passa pela revogação da Emenda Constitucional 95 do teto dos gastos (vai precisar de 60% do Congresso para mudar), como mudar a matriz energética sem mergulhar a curto prazo o Brasil no apagão, como mudar o perfil agrário brasileiro sem desestruturar de imediato cadeias produtivas que geram mais de 6 milhões de empregos, como reverter o processo de desindustrialização em curso, como lidar com o grande capital privado, como reverter um desemprego de 14 milhões, dá mais trabalho e parece pouco charmoso para quem é portador de nobres e redentores propósitos revolucionários.

No entanto, qualquer governo de esquerda que por ventura venha a assumir em 2019 terá como principal e imediata tarefa tirar o Brasil da recessão/estagnação em que estamos mergulhados. Sem dar conta disto não terá base social para alterar a correlação de forças e empreender tarefas de maior vulto como mudar o sistema tributário, desindexar as rendas do capital e do patrimônio( alugueis, tarifas de serviços concessionados) , eliminar as transferências regressivas de renda via taxa de juros sobre a divida publica, reverter a reforma trabalhista, recuperar a renda e o emprego, consolidar apoio e engajamento das classes trabalhadoras para continuar avançando.

Curiosamente este conjunto de medidas de difícil viabilização no seu todo, mas de forma alguma impossíveis, são taxadas de “melhorísmo” pelos que na pratica defendem um estelionato eleitoral prometendo programas maximalistas com nenhuma possibilidade de serem sequer tentados fora de uma conjuntura revolucionária. Esta é a grande polarização do Congresso do PSOL.

Provavelmente teremos também aqueles que neste debate subirão no muro, que é lugar quente e ensolarado, e lhes permitirá não precisar brigar com ninguém.

Neste Congresso o PSOL passará pelo seu teste de maioridade politica. Se será um partido vocacionado para disputar governos e poder, ou apenas uma grife parlamentar para a classe media progressista chamar de sua e os aparatos das suas correntes internas continuarem cooptando uma pequena parcela da juventude encantada com o Encouraçado Potenkim.

POR UM PARTIDO DE MASSAS

“Para que possamos constituir uma alternativa de poder nesse país precisamos de um partido de massas. Um partido que faça a disputa de valores. A disputa ideológica. A disputa da solidariedade contra o individualismo. A disputa da sustentabilidade contra o consumismo. A disputa da igualdade contra a sociedade hierarquizada de classes. A disputa da liberdade contra o proibicionismo.

Essa é uma disputa no cotidiano. Uma disputa de massas. Uma disputa de corações e mentes em cada esquina desse país. Em cada rua. Em cada luta. Em cada local de trabalho. Em cada favela. Em cada local de moradia.

Essa luta pode formar um nível de consciência de massa que nos possibilite, a nós e ao conjunto das organizações de esquerda, nos constituirmos mais adiante como alternativa de poder.”

Trecho da defesa da tese “Unidade Socialista por um Psol popular” realizada no 5º Congresso do Psol, em 6 de novembro de 2015.

O PSOL CONTRA O IMPEACHMENT

“A caracterização que fazemos dos governos Lula e Dilma, um governo de conciliação de interesses de classe, é a mesma caracterização que os setores mais duros da burguesia fazem. Para eles, esse governo também tem um vício: é um governo de conciliação de interesses de classes. Porque para os setores mais duros da burguesia, nenhuma conciliação com os interesses das classes trabalhadoras é permitido. Por isso o movimento do impeachment. Por isso o combate dos setores da grande imprensa, da representação política da ala mais dura da burguesia contra o governo Dilma, contra o governo Lula. Não porque fossem governos de esquerda. Não porque fossem governos das classes trabalhadoras. Mas porque para setores da burguesia brasileira até a conciliação de interesses de classe é demais para aceitar. (..)
A nossa luta contra o impeachment não é apenas por uma questão de legalidade. Não é apenas porque foi o Cunha que abriu o processo. É porque a correlação de forças nos coloca: quem se apresentará como alternativa de poder mais imediato? É a direita mais dura. Não é a alternativa de esquerda”.

Trecho da defesa de tese “Unidade Socialista por um Psol popular” realizada no 5º Congresso do Psol, em 6 de novembro de 2015.