Arquivo da tag: Desenvolvimento

MEIRELLES E TEMER JOGARAM FORA A CHAVE

Governo federal corta mais 42 bilhões do orçamento para compensar a queda na arrecadação. Em janeiro, a queda real da arrecadação federal na comparação com 2016 foi de 8%. A queda no imposto de renda das pessoas jurídicas foi de 40%. Sinal da enorme crise econômica em que estamos mergulhados. Quando o governo fala em cortar 42 bi de gastos a notícia deve ser lida como “empresas perdem 42 bi de receita”. Logo, não vão contratar, provavelmente demitirão e mais famílias perderão receita. Em consequência, todos pagarão menos imposto aos municípios, aos estados e…. à União, aumentando o déficit fiscal mais adiante.

Isto ocorre porque na economia o gasto de um agente econômico é a receita do outro. Quando todos cortam gastos, todos perdem receita e a crise se agrava. É nessa espiral recessiva que estamos mergulhados. Raciocinando a grosso modo com 5 agentes econômicos, União, Estados, Municípios, Empresas e Famílias, sem que um destes agentes econômicos aumente seus gastos não será possível que os outros aumentem suas receitas. Destes 5 agentes econômicos, o único que pode expandir seus gastos de forma segura é a União pela sua capacidade de emitir a moeda na qual é denominada a dívida. Pode, portanto, conviver com déficit por largo período sem que corra o risco da insolvência.

A crise recessiva que já dura 2 anos e 9 meses quebrou a arrecadação de Estados e Municipios retirando destes agentes econômicos a capacidade de ampliar investimentos. A queda na atividade econômica reduziu a receita das empresas e aumentou em muito a sua capacidade ociosa, não dando expectativas de que possam retomar investimentos. O aumento do desemprego retirou renda real das famílias, e, portanto, não há expectativas que o seu consumo puxe a retomada.

Face a isto o governo e a sua mídia tentam resolver com base na psicologia. Pela 24ª vez Meirelles anuncia que a recessão acabou, o jornal da Band informa ao distinto publico que um salão de cabeleireiro em Guarulhos contratou 4 manicures e está tudo resolvido. Mas os números, ah os números esses esquerdopatas, insistem em contrariar o marketing. Em janeiro, o consumo caiu 0,7% em relação a dezembro e 7% em relação a janeiro de 2016, mês que por sua vez já registrava forte queda em relação a 2015.

Sem que o governo federal aumente seus gastos e, portanto, no curto prazo o seu déficit, os outros agentes econômicos não aumentarão sua receita, condição para que depois possam por sua vez aumentar seus gastos. O motor de arranque tem que ser o governo federal.

Infelizmente Temer e Meirelles parecem ter jogado fora a chave.

A CARNE FRACA E O MIOLO MOLE

A deflagração da Operação Carne Fraca na sexta feira abriu um debate na esquerda que por vezes beira o surrealismo. De um lado teorias conspiratórias denunciando um complô imperialista para desacreditar um setor importante da economia brasileira que vem se internacionalizando nos últimos anos e que emprega milhares de trabalhadores em toda a cadeia produtiva. A quem interessaria, depois de desmoralizada a indústria de construção civil pesada, desmoralizar agora o setor agroexportador da carne? a pergunta já deixa subentendido um sujeito oculto, caviloso e mal intencionado, que teria incentivado a polícia federal a dar ares dramáticos a um pequeno incidente em alguns frigoríficos de menor importância.

Essa versão tem dificuldades em ser compatibilizada com áudios estarrecedores como por exemplo entre Carlos Augusto Goetzke e o agente de inspeção federal Carlos Cesar sobre o destino de 18 toneladas de carne de peru contaminada com salmonela onde tricotavam sobre as opções de fabricar mortadela ou ração com o lote. Em outro dialogo edificante sobre uma peça de presunto podre um tal de Normelio e um certo Idair travaram o seguinte colóquio: “Normélio: Tu viu aquele presunto que subiu ali ou não chegou a ver?
Idair: Ah, eu não vi. Cheguei lá, mas o Ney falou que tá mais ou menos . Não tá tão ruim.
Normélio: Não. Não tá. Fizemos um processo, até agora eu não entendo, cara, o que é que deu naquilo ali. Pra usar ele, pode usar sossegado. Não tem cheiro de azedo. Nada, nada, nada.”

Em outro dialogo elucidativo um diretor da BRF falando com um interlocutor reclamava de 4 containers de carne contaminada também com salmonela barrados no porto de Genova e sugeria passar a exportar via Holanda. Afinal o problema não era a salmonela mas a vigilância sanitária Italiana.

De outro lado vejo discursos praticamente comemorando a desmoralização de empresas nacionais do setor como se a derrocada do latifúndio estivesse ás portas e fosse a decorrência natural da falência do setor agroexportador de proteína animal. Numa absurda inversão de logica apresentam como argumento o fato de mais de 60% do faturamento da BRF ser no exterior como comprovação de que não é mais uma empresa nacional quando na verdade se trata de uma multinacional brasileira. Se as grandes empresas brasileiras do setor quebrarem não serão substituídas por kolkhoses ou cooperativas de produtores de carnes orgânicas ,mas por multinacionais estrangeiras que operarão na mesma logica mas invertendo o fluxo da mais valia do sul para o norte.

Empresas de grande porte deste ou de qualquer outro setor são para além de propriedades dos seus acionistas, patrimônio do povo brasileiro. A sua desagregação não ajudará em nada os bípedes viventes nestas latitudes. Articulam cadeias produtivas com milhões de trabalhadores diretos e indiretos, com pequenos produtores rurais associados, geração de emprego e renda disseminados pelo interior e demanda para a indústria transformadora de equipamentos agrícolas. E empresas não são criminosas, criminosos são os seus dirigentes envolvidos em trapaças, são os agentes públicos subornados, são os políticos que os nomeiam para vender facilidades na fiscalização.

A operação da Polícia Federal foi correta , quem tiver duvidas consulte as transcrições dos áudios das escutas telefônicas. Se continuar com duvidas sugiro um lanchinho de salmonela para clarear as ideias.

Os executivos das empresas devem ser punidos criminalmente, os acionistas das empresas multados exemplarmente – e atenção, são os acionistas e não o caixa das empresas que devem ser chamados a pagar a conta que precisa ser salgada- e se não o fizerem em efetivo que o façam transferindo ações para o BNDES. Os parlamentares responsáveis pelas indicações dos superintendentes de fiscalização envolvidos na esbornia devem ser responsabilizados criminalmente, e o Ministro da Agricultura responsável pelas nomeações no mínimo rigorosamente investigado. As empresas devem ser preservadas.

Na sequencia da Operação Carne Fraca urge que uma junta psiquiátrica lance nas redes sociais a Operação Miolo Mole para tratar de tanta sandice que vem sendo escrita sobre o assunto.