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POR UM PARTIDO DE MASSAS

“Para que possamos constituir uma alternativa de poder nesse país precisamos de um partido de massas. Um partido que faça a disputa de valores. A disputa ideológica. A disputa da solidariedade contra o individualismo. A disputa da sustentabilidade contra o consumismo. A disputa da igualdade contra a sociedade hierarquizada de classes. A disputa da liberdade contra o proibicionismo.

Essa é uma disputa no cotidiano. Uma disputa de massas. Uma disputa de corações e mentes em cada esquina desse país. Em cada rua. Em cada luta. Em cada local de trabalho. Em cada favela. Em cada local de moradia.

Essa luta pode formar um nível de consciência de massa que nos possibilite, a nós e ao conjunto das organizações de esquerda, nos constituirmos mais adiante como alternativa de poder.”

Trecho da defesa da tese “Unidade Socialista por um Psol popular” realizada no 5º Congresso do Psol, em 6 de novembro de 2015.

O PSOL CONTRA O IMPEACHMENT

“A caracterização que fazemos dos governos Lula e Dilma, um governo de conciliação de interesses de classe, é a mesma caracterização que os setores mais duros da burguesia fazem. Para eles, esse governo também tem um vício: é um governo de conciliação de interesses de classes. Porque para os setores mais duros da burguesia, nenhuma conciliação com os interesses das classes trabalhadoras é permitido. Por isso o movimento do impeachment. Por isso o combate dos setores da grande imprensa, da representação política da ala mais dura da burguesia contra o governo Dilma, contra o governo Lula. Não porque fossem governos de esquerda. Não porque fossem governos das classes trabalhadoras. Mas porque para setores da burguesia brasileira até a conciliação de interesses de classe é demais para aceitar. (..)
A nossa luta contra o impeachment não é apenas por uma questão de legalidade. Não é apenas porque foi o Cunha que abriu o processo. É porque a correlação de forças nos coloca: quem se apresentará como alternativa de poder mais imediato? É a direita mais dura. Não é a alternativa de esquerda”.

Trecho da defesa de tese “Unidade Socialista por um Psol popular” realizada no 5º Congresso do Psol, em 6 de novembro de 2015.

 

DILMA, O PT E O MONOPÓLIO DA ESTUPIDEZ

Amanhã, 11 de maio, o Senado consolida o golpe e começa o governo Michel Temer. A pressa dos golpistas tem a ver com a economia. Todos os indicadores apontam que em algum momento do segundo semestre a economia brasileira começa a se recuperar lentamente da recessão bíblica em que está desde 2015.

O ajuste do cambio, o único ajuste que deu certo no governo Dilma, fez com que o Brasil saísse de déficit comercial em 2014 para uma projeção de superávit de 55 a 58 bilhões de dólares este ano. Ao contrário do que propala a mídia e parte da classe media repete, o Brasil não está quebrado. Reservas internacionais de 370 bilhões de dólares, projeção de superávit em conta corrente a partir de 2017, e dívida pública em moeda nacional de 65.5% do PIB (a divida japonesa é de 230% do PIB), não são sintomas de quebradeira. Aliás, não lembro de país algum que tenha quebrado por conta de dívida pública denominada em moeda nacional. Nos exemplos da Grécia, Portugal, Espanha e Argentina de Menem e De La Rua, tratava-se de divida denominada em moeda estrangeira já que a Argentina devia em dólar pela política de “conversibilidade” e os países europeus adotaram o Euro que não emitem.

O aumento das exportações e a substituição de importações industriais começam a neutralizar a queda do consumo interno, apontando para que na margem (mês comparado com o mês imediatamente anterior) a economia comece a reagir no 2º semestre deste ano. Michel Temer e os golpistas sabem disso e precisam urgentemente legitimar seu governo nas ruas.

Por esta razão, creio, na contramão de parte das analises feitas pela esquerda, que o programa de Michel Temer se fixará no que chamam de ajustes estruturais, sem impacto recessivo imediato. É a pior parte da sua agenda, mas a mais indolor no curto prazo. Mudar a regra de indexação do salário mínimo pela variação positiva do PIB de 2 anos antes, só terá efeito pratico em 2019, partindo-se do princípio que a economia cresce em 2017, já que em 2015 e 2016 o crescimento terá sido negativo, fazer a contra-reforma da previdência, cujos efeitos também se farão sentir a médio prazo, mudar as regras do Pré-sal, começar o desmonte dos bancos públicos, essa sucessão de desastres seguirão adiante.

Aumentar o contingenciamento do orçamento, restringir o Bolsa Família, cortar mais verba do Minha Casa Minha Vida, isso não me parece que será feito. Até o mais parvo dos economistas neo-liberais já percebeu que sem retomada do crescimento não melhora a arrecadação. E o mais idiota dos PMDBistas sabe que o déficit de credibilidade de Temer não será coberto com mais recessão. Com a inflação em trajetória de queda, sendo hoje estimada em 7% para 2016 contra quase 11% em 2015, mesmo pelos critérios pró rentistas que caracterizaram os governos FHC, Lula e Dilma, já há espaço para a redução da Selic.

A parte mais dolorosa do ajuste fiscal regressivo Dilma já o fez, divorciando-se da sua base social e construindo as condições para o impeachment. A forte contração nos gastos públicos, o tarifaço de janeiro de 2015 e a escalada absurda da taxa de juros transformaram uma recessão moderada e rápida numa depressão econômica de proporções bíblicas com queda estimada do PIB de 7,5% em 2 anos. Chamar um legitimo representante do adversário, Joaquim Levy , para o ministério da fazenda, tomar todas as medidas preconizadas pela direita na macro-economia, conduziram Dilma Roussef e o PT para o austericídio.

Até agora nada indica que Michel Temer e os golpistas se proponham a quebrar o monopólio da estupidez pacientemente construído e consolidado pelo PT e Dilma neste último ano e meio. Esperar que o adversário se comporte de forma estúpida não costuma armar ninguém adequadamente para travar o bom combate.

Publicado originalmente em 10 de maio de 2016.