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PRECISAMOS FALAR SOBRE RENAN CALHEIROS

Prossegue a guerra civil na direita brasileira entre aqueles que querem se livrar rapidamente de Temer para o substituir por um presidente biônico, eleito por este Congresso travestido em Colégio Eleitoral, com o objetivo de concluir o desmonte do capitulo de direitos e garantias sociais da Constituição de 1988, e aqueles outros que, mais preocupados em fugir da polícia, Temer liderando, preferem manter o morto-vivo no Palácio do Planalto.

A linha de confrontação com ambos os grupos é a defesa de eleições em 2017, recuperando a velha bandeira da luta contra a ditadura , “Diretas Já”. Em 1984 uma ampla frente politica e partidária se formou em torno desta ideia. Governadores dos estados mais importantes como S.Paulo, Rio e Minas, junto com partidos de esquerda, liberais, conservadores, sindicalistas , artistas, gente de todos os quadrantes foram as ruas por em apoio á emenda Dante de Oliveira. Mesmo com toda a mobilização fomos derrotados, faltando 25 votos na câmara dos deputados para a sua aprovação. Enfrentávamos uma ditadura, que cuidava de sair de cena o mais protegida possível e operou contra as eleições diretas com amplo midiático. Na época a indefectível TV Globo anunciou o enorme comício por Diretas Já como um show de musica que ocorria na cidade.

Agora em 2017 a direita foge das urnas como o diabo foge da cruz. Sabe que o seu programa não passa em eleições e, por absoluta falta de imaginação, repete os argumentos da ditadura em 1984.”Diretas já, é golpe” bradava Paulo Maluf , candidato da ditadura em 1984.Tenho escutado o mesmo de “analistas” políticos ouvidos no noticiário. Agora há pouco no programa do William Wack lá estava Bolivar Lamonier dizendo que essa era uma saída populista. Jornalistas da Globonews ao cobrirem as manifestações de hoje pedindo diretas já, anunciam que “isto não é possível”. Se escudam na Constituição como se esta só pudesse ser alterada para retirar direitos sociais, e fosse imutável para sonegar ao povo o direito de dar a sua saída para a crise politica e econômica.

A frente que devemos construir nas ruas por diretas já deve ser com todos que vierem a ela. Hoje na Folha de SP tem uma nota informando que Paulinho da Força convidou Renan Calheiros para o ato da Força Sindical em Brasília dia 24 contra as reformas. Se Paulinho da Força e Renan Calheiros se somarem á luta pelas Diretas Já devem ser bem recebidos. Se parlamentares da bancada golpista se somarem á defesa das Diretas Já, devem ser bem recebidos. Não estão em jogo alianças eleitorais nem projetos em comum, mas simplesmente devolver ao povo aquilo que lhe pertence: o direito de escolher seus governantes. A emenda constitucional do momento é a de Miro Teixeira, garantindo eleições em 2017. Em torno desta emenda quem chegar é bem vindo.

Se todos não entendermos isso, não teremos a menor chance.

MICHEL TEMER NÃO RENUNCIOU, A CRISE CONTINUA

Michel Temer ainda não renunciou. Paradoxalmente, isso é um bom sinal. Ainda não chegaram a acordo, o que implicaria em garantias de que ele não será preso. Os golpistas querem trocar a roda (o Temer) para que o carro das reformas continue andando. O script é 1. a renuncia; 2. Rodrigo Maia assume e convoca eleições indiretas em 30 dias; 3. o Congresso elege um dois de paus sem ficha na policia e, por fim, 4. voltam a tocar as reformas. Esse é o jogo dos golpistas e é esse o jogo da Globo.

Neste jogo, tirar o Temer rápido é essencial para não inflamar mais ainda as ruas. É uma tentativa desesperada de retomar as reformas da previdência e trabalhista. Não será fácil, mesmo que consigam fazer isso, esta agenda já entra pelo segundo semestre e quanto mais próximo de 2018 pior fica para os golpistas.

Nenhuma solução que não passe por eleições diretas para presidente é aceitável. A direita tem pavor das urnas e seu programa jamais seria vitorioso em eleições .Por isso alegam a defesa da legalidade para descartar eleições diretas este ano. Como se emendas constitucionais só fossem legítimas quando propostas por eles.

O golpe está ferido, mas ainda não está morto. É necessário avançar com a mobilização social por eleições diretas em 2017. Nenhuma solução presidencial parida por este Congresso tem legitimidade.

Às ruas.

MEIRELLES E TEMER JOGARAM FORA A CHAVE

Governo federal corta mais 42 bilhões do orçamento para compensar a queda na arrecadação. Em janeiro, a queda real da arrecadação federal na comparação com 2016 foi de 8%. A queda no imposto de renda das pessoas jurídicas foi de 40%. Sinal da enorme crise econômica em que estamos mergulhados. Quando o governo fala em cortar 42 bi de gastos a notícia deve ser lida como “empresas perdem 42 bi de receita”. Logo, não vão contratar, provavelmente demitirão e mais famílias perderão receita. Em consequência, todos pagarão menos imposto aos municípios, aos estados e…. à União, aumentando o déficit fiscal mais adiante.

Isto ocorre porque na economia o gasto de um agente econômico é a receita do outro. Quando todos cortam gastos, todos perdem receita e a crise se agrava. É nessa espiral recessiva que estamos mergulhados. Raciocinando a grosso modo com 5 agentes econômicos, União, Estados, Municípios, Empresas e Famílias, sem que um destes agentes econômicos aumente seus gastos não será possível que os outros aumentem suas receitas. Destes 5 agentes econômicos, o único que pode expandir seus gastos de forma segura é a União pela sua capacidade de emitir a moeda na qual é denominada a dívida. Pode, portanto, conviver com déficit por largo período sem que corra o risco da insolvência.

A crise recessiva que já dura 2 anos e 9 meses quebrou a arrecadação de Estados e Municipios retirando destes agentes econômicos a capacidade de ampliar investimentos. A queda na atividade econômica reduziu a receita das empresas e aumentou em muito a sua capacidade ociosa, não dando expectativas de que possam retomar investimentos. O aumento do desemprego retirou renda real das famílias, e, portanto, não há expectativas que o seu consumo puxe a retomada.

Face a isto o governo e a sua mídia tentam resolver com base na psicologia. Pela 24ª vez Meirelles anuncia que a recessão acabou, o jornal da Band informa ao distinto publico que um salão de cabeleireiro em Guarulhos contratou 4 manicures e está tudo resolvido. Mas os números, ah os números esses esquerdopatas, insistem em contrariar o marketing. Em janeiro, o consumo caiu 0,7% em relação a dezembro e 7% em relação a janeiro de 2016, mês que por sua vez já registrava forte queda em relação a 2015.

Sem que o governo federal aumente seus gastos e, portanto, no curto prazo o seu déficit, os outros agentes econômicos não aumentarão sua receita, condição para que depois possam por sua vez aumentar seus gastos. O motor de arranque tem que ser o governo federal.

Infelizmente Temer e Meirelles parecem ter jogado fora a chave.